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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

LEITURA E DITADO NA ESCOLA

LEITURA
A maior herança que a escola pode deixar a um aluno é a capacidade e o gosto pela leitura. Se o aluno passar pela escola e aprender pouco, mas for um bom leitor, ele terá nos livros e revistas um prolongamento da escola e poderá se desenvolver para além do que a escola espera de um aluno ideal.
Se o escrever e o ler que a escola ensina não tiverem uma função específica para a vida do aluno, de nada adiantará colocar os alunos na escola.
Se a escola reduz as atividades de leitura e escrita a simples pretextos para ocupar o tempo das crianças, diagnosticar sua capacidade mental e avaliar o acompanhamento dos alunos, que sentido para a vida real terá a leitura e a escrita à maioria de nossos alunos oriundos de classes sociais onde o escrever e o ler são praticamente inexistentes?
Uma leitura não é feita apenas quando o aluno descobre por si o que o autor escreveu. Quando ele ouve alguém lendo, participa também dessa atividade como leitor. Ouvir histórias na infância é, sem dúvida, um modo muito eficaz de as crianças serem introduzidas no mundo da leitura e da escrita. Ouvindo histórias, as crianças vão-se familiarizando com o estilo da linguagem escrita, com as estratégias de interpretação da leitura e com as formas de prestígio da língua, o que facilitará enormemente a tarefa de alfabetizar. Ao contrário, as crianças que não tiveram tal oportunidade terão um trabalho muito árduo para dominar a escrita e a leitura apenas com as explicações e atividades que a escola lhes proporciona na alfabetização.
Uma leitura pode ser uma decifração da escrita ou uma meditação sobre o que se decifra numa escrita. O segundo aspecto, o interpretativo no sentido mais extenso e profundo, não deve ser preocupação na alfabetização, que é justamente o momento em que o aluno vai concentrar seus esforços em traduzir simplesmente o escrito em fala, isto é, em decifrar uma escrita com a leitura.
Quando se diz que a leitura é uma interpretação falada de algo que se decifra, isso permite metaforicamente se falar de muitos tipos de leitura: lê-se o mundo, lê-se um quadro, etc., à medida que se “pode falar” a respeito “do que se vê”. Isso, porém, é diferente da leitura propriamente dita, que se baseia em “poder falar” o que se “vê na escrita”. No primeiro caso, o leitor usa a linguagem oral como falante em situação normal, isto é, ele pensa, programa sua fala e diz o que pretende. No segundo caso, o leitor não parte do “seu pensamento”, mas de algo pensado e já codificado de certo modo pelo escritor. É a decifração da escrita que revela ao leitor os elementos lingüísticos que delineiam o pensamento do escritor numa língua dada. De posse disso, o leitor incorpora essa idéia segundo sua interpretação e a partir daí programa sua fala e diz a leitura.

O exposto acima mostra que a leitura não é a simples descoberta de uma relação letra-som nas palavras e a sua simples produção ou apenas o ato de uma relação. Por isso pedir a um aluno que leia acompanhando com os olhos letra por letra, para proferir o som que lhe é correspondente, é uma deturpação do ato de leitura. Se a leitura exige, além da decifração, uma “programação normal” de fala, é preciso que, ao ler, o aluno tenha condições completas para programar adequadamente o que se vai dizer (lendo). Para se falar em ritmo, acento e entoação próprios, diferenciando, por exemplo, uma frase exclamativa de uma interrogativa ou de simples afirmativa ou suspensiva, é preciso que os olhos já tenham decifrado a escrita até o final da frase pelo menos, para que o cérebro programe linguísticamente como ela deve ser lida adequadamente desde o início. Caso contrário a leitura será monotônica, o que obviamente, representa apenas uma descoberta de sons das sílabas das palavras e não do conteúdo da escrita.
Seria interessante deixar os alunos, no começo, decifrarem a escrita e depois dizerem espontaneamente o que leram. Para isso, um começo estimulante é a “leitura de textos como poesias, letras de músicas, provérbios, etc., que eles já conhecem de cor. Com o tempo, podem-se suprimir palavras, trocar por outras para ver se os alunos percebem isso na leitura.
DITADO
Uma das práticas mais tradicionais e típicas da alfabetização são os ditados. Para muitos professores, os ditados são uma forma cômoda de se fazer avaliação da aprendizagem e de se ter certeza das “palavras realmente dominadas”. Por isso, o professor nem sequer se atreve a ditar uma palavra que nunca apareceu em aula. Ora, as crianças têm tal capacidade de generalização do que aprendem que conseguem de fato escrever muito mais do que o professor muitas vezes acredita.
Alguns professores acham que os ditados servem também para ensinar, ou melhor, reforçar o aprendizado da ortografia. Nada mais falso. Se o aluno sabe a forma ortográfica de uma palavra, não será através do ditado que isso de fato se fixará, se não souber, não será aprendida através do ditado, por que a partir da fala tão-somente é impossível prever a forma ortográfica, principalmente para certas palavras. Para resolver essa dificuldade, alguns professores utilizam a estratégia de uma pronúncia artificial que dê dicas para as crianças escreverem certo. Por exemplo, dita-se: “mal” acentuando-se a pronúncia do l e não do u, pote, com T e Ê e não “Poti ou pótxi, etc.
Acontece, porém, que o aluno pode até acertar no ditado, aproveitando a dica da professora em sua estranha pronúncia, mas como ele não é falante dessa fala artificial, como saberá dizer, por exemplo, “alto” com L e não com U para escrever o certo, quando estiver sozinho?
Os ditados precisam ser feitos usando-se a pronúncia normal dos segmentos, da entonação e do ritmo. Uma criança tem a capacidade de memorizar trechos de fala com facilidade, por isso, os ditados não precisam ser feitos numa fala silabada. Uma criança pode ouvir uma palavra ou mesmo uma frase, memorizar e depois tentar escrever. Quando a professora se põe não só a silabar nos ditados, mas a repetir sílabas, a dar explicações, a tarefa do aluno se complica enormemente. Muitas vezes, ele já não sabe que palavra a professora está ditando, se é “bata, batata, baba, tatá”, etc.
Há formas mais interessantes de fazer ditados, por exemplo, pedindo às crianças para escreverem nomes de colegas, nomes de coisas que vêem figuras, etc. Outra forma de fazer ditado é a de solicitar a cada aluno que dite uma palavra ou frase para que seus colegas escrevam.
Um ditado que propicie ao aluno um desafio na escrita é sempre uma prática motivadora e útil na escola, mas os ditados, que simplesmente procuram avaliar o que os alunos já fixaram, levam-nos ao desânimo pelos erros que cometem e nem sequer podem garantir que quem acertou hoje no ditado, não vai errar amanhã.

Referência Bibliográfica
LIMA, Branca Alves; alfabetização pela imagem. 86.ed. São Paulo, Caminho Suave, 1982.

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